A farra não pode continuar
O discurso do vereador Eduardo Moura (Novo) nesta segunda-feira (11) escancarou um cenário preocupante na gestão de João Campos (PSB). As denúncias não são meros ruídos políticos: revelam cortes drásticos em áreas essenciais, compras suspeitas e concessões de patrimônio público conduzidas com questionável transparência.
Comecemos pelo asfalto, ou melhor, pela sua ausência. Uma redução de 65% nos investimentos em manutenção viária no primeiro semestre de 2025, em comparação com o mesmo período de 2024, é mais do que um dado frio: é o reflexo diário nas crateras que se multiplicam pelas ruas. Enquanto isso, a Prefeitura direciona mais de R$ 500 milhões apenas para pagar dívidas antigas, deixando a cidade entregue ao abandono.
E não para por aí. A compra sem licitação de 672 aparelhos de ar-condicionado pela Secretaria de Educação, com indícios de superfaturamento de quase R$ 1 milhão, expõe um modus operandi que ignora pareceres técnicos internos e o princípio básico da boa gestão: gastar com critério e transparência.
Some-se a isso a denúncia do Ministério Público Federal sobre o prejuízo de R$ 2,5 milhões na compra emergencial de luvas durante a pandemia, adquiridas de uma empresa com apenas um funcionário, capital social de R$ 100 mil e preços muito acima do mercado. Um retrato de como a pressa e a falta de fiscalização podem abrir portas para negócios que desafiam o bom senso e o interesse público.
Mas talvez o ponto mais simbólico da desconexão entre gestão e patrimônio cultural seja a possível concessão da Rua do Bom Jesus, reconhecida mundialmente como uma das mais belas do planeta, à iniciativa privada. Seguir o modelo adotado em cinco parques entregues por mais de 30 anos a um consórcio, por uma outorga irrisória de R$ 350 mil, é brincar com o valor histórico e afetivo da cidade.
Esses fatos, somados, compõem um quadro de prioridades distorcidas. A impressão é de que a Prefeitura do Recife governa mais para fechar planilhas e atender interesses específicos do que para cuidar da cidade e de seus cidadãos.
O alerta dado por Moura, de que denúncias aparecem até em Diário Oficial publicado em pleno sábado, como se ninguém fosse perceber, deveria acender uma luz vermelha não apenas na Câmara Municipal, mas na consciência de todo recifense.
Se a capital quer manter viva a sua história, melhorar a vida de seus habitantes e projetar um futuro digno, é preciso mais do que discursos de campanha e inaugurações pontuais: é necessário responsabilidade, zelo e compromisso real com o interesse público.
Porque, como disse o vereador, a farra precisa acabar. E é a sociedade quem deve dar o ponto final.
APOIO I – O presidente do PSD, Gilberto Kassab, reafirmou apoio a uma possível candidatura presidencial de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) em 2026, destacando que o governador paulista seria o único nome capaz de unir o campo da centro-direita. Kassab afirmou que, caso Tarcísio entre na disputa, contará com o apoio do PSD e de outras siglas, inclusive do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
APOIO II – Apesar da confiança em Tarcísio de Freitas, Kassab garantiu que o PSD terá candidatura própria caso o governador paulista não concorra. Segundo ele, a decisão já foi comunicada ao presidente Lula (PT) e visa preservar a identidade da legenda. “Nada vai mudar nossa decisão de ter candidatura própria”, afirmou, ressaltando que, no segundo turno, a centro-direita tende a se unir.









