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Apague a luz o último que sair

 

A movimentação política da semana reforçou o que já vinha sendo comentado nos bastidores: o deputado federal Guilherme Uchôa Júnior está cada vez mais distante do PSB e com os dois pés fincados no projeto de reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD).

 

Na noite desta sexta-feira (30), Uchôa abriu as portas de sua residência, na Ilha de Itamaracá, para receber a governadora e toda a sua comitiva durante mais uma edição do Festival Pernambuco Meu País. O gesto, carregado de simbolismo, foi lido como o selamento definitivo de sua migração para o PSD de Gilberto Kassab, partido que em Pernambuco é liderado por Raquel Lyra e tem André Teixeira Filho na presidência estadual.

 

Sinal amarelo no PSB

 

Do outro lado da ponte, o clima é de apreensão. Uma fonte ligada ao prefeito do Recife, João Campos (PSB), confidenciou que o “sinal amarelo está ligado e piscando”. O acúmulo de notícias negativas, pedidos de CPI, protocolo de impeachment e, mais recentemente, a revelação feita pelo jornal O Estadão de que o TJPE reverteu a anulação de um processo sobre suposto esquema de corrupção envolvendo empreiteiras que prestaram serviços à Prefeitura do Recife, tem provocado desgaste crescente na imagem do gestor.

 

A pergunta que não quer calar

 

Diante da queda nas pesquisas, do desgaste público e da migração de nomes expressivos do PSB para o palanque de Raquel Lyra, a dúvida ganhou força nos corredores políticos: João Campos será ou não candidato a governador?

 

Há duas leituras em disputa. A primeira sustenta que ele não teria mais como recuar, pois precisa “salvar” o partido que hoje lidera. Uma desistência, a essa altura, desmobilizaria aliados, enfraqueceria candidaturas proporcionais e poderia representar o naufrágio definitivo do projeto socialista no Estado.

 

A segunda versão aponta para um possível recuo estratégico nos “45 do segundo tempo”. O argumento já estaria pronto: João foi eleito para governar o Recife e qualquer projeto além disso precisaria respeitar o mandato confiado pelos recifenses. Seria uma saída honrosa para evitar uma disputa de alto risco.

 

Tabuleiro em ebulição

 

Enquanto o PSB tenta reorganizar as peças, o entorno da governadora comemora cada nova adesão. A aproximação de Uchôa Júnior é mais um capítulo de um movimento maior de esvaziamento do campo socialista e de fortalecimento do PSD para 2026.

 

No ritmo em que as coisas caminham, a sensação nos bastidores é de mudança de eixo político em Pernambuco. E, se continuar assim, alguém vai ter que apagar a luz ao sair.

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