Entre o abandono e a reconstrução, a saúde de Pernambuco começa a virar página
Por décadas, quem precisou recorrer à rede pública de saúde em Pernambuco conheceu de perto uma realidade dura, superlotação, estruturas envelhecidas e equipamentos ultrapassados. Não era apenas uma percepção popular, era um retrato concreto de anos de negligência administrativa. Agora, com os investimentos anunciados e entregues pela governadora Raquel Lyra, começa a surgir um contraponto que expõe, inevitavelmente, o tamanho do descaso acumulado durante as gestões do Partido Socialista Brasileiro (PSB) no Estado.
A entrega da requalificação da Sala Vermelha e dos 6º e 8º andares do Hospital da Restauração, no Recife, não é apenas mais uma inauguração administrativa. Trata-se de um marco simbólico de um processo de reconstrução de uma das mais importantes unidades hospitalares do Nordeste. Com investimento de R$ 19,4 milhões em obras e mais R$ 2,8 milhões em equipamentos de engenharia clínica, o hospital passa a oferecer 149 leitos modernizados, com climatização, algo inédito em mais de cinco décadas de funcionamento da unidade. Sim, mais de cinquenta anos.
Durante esse período, Pernambuco foi governado majoritariamente por administrações ligadas ao PSB, que construíram forte narrativa política baseada em gestão moderna e eficiente. Mas a realidade dentro dos hospitais públicos contava outra história. O próprio Hospital da Restauração, maior hospital de trauma do Norte e Nordeste, tornou-se ao longo dos anos um símbolo do colapso estrutural da saúde pública estadual.
Pacientes amontoados em macas nos corredores, salas de emergência sobrecarregadas e estruturas físicas deterioradas eram cenas frequentes. Não se trata de uma crítica partidária vazia, mas de um diagnóstico conhecido por profissionais da saúde, pacientes e familiares que enfrentaram essa realidade por décadas.
A intervenção promovida agora pelo governo estadual representa mais do que reforma física. O investimento total de aproximadamente R$ 179 milhões em projetos voltados à unidade, incluindo equipamentos modernos como ressonância magnética, novas macas e mobiliário hospitalar, revela uma decisão política clara, colocar a saúde pública no centro da gestão.
A nova Sala Vermelha da emergência do trauma, com 12 leitos para atendimento imediato de casos graves, ilustra bem essa mudança de paradigma. Trata-se da principal porta de entrada para vítimas de grandes acidentes e situações críticas. Melhorar essa estrutura significa salvar vidas, de forma direta e concreta. E as mudanças não se limitam ao Hospital da Restauração.
No mesmo dia, a governadora também entregou a requalificação da UTI Pediátrica do Hospital Barão de Lucena, outra unidade histórica da rede estadual. O espaço ganhou oito novos leitos pediátricos de terapia intensiva, além de melhorias estruturais, atualização das instalações elétricas e hidráulicas e novos equipamentos. São intervenções que deveriam ter ocorrido há muito tempo.
O Barão de Lucena, referência em alta complexidade pediátrica, também atravessou anos de deterioração silenciosa. O fato de uma UTI pediátrica precisar passar por ampla reestruturação em pleno século XXI revela o quanto a manutenção e a modernização da rede hospitalar ficaram em segundo plano durante administrações anteriores.
A atual gestão afirma que 2026 será “o ano da saúde pública em Pernambuco”. Se mantido o ritmo de investimentos e intervenções estruturais, o Estado pode finalmente começar a reverter um passivo histórico que se acumulou por décadas.
Naturalmente, não se trata de resolver todos os problemas de uma só vez. A saúde pública é um sistema complexo, que envolve financiamento, gestão hospitalar, formação de profissionais e integração com municípios.
Mas há algo que não pode ser ignorado, quando reformas estruturais desse porte começam a aparecer em série, elas escancaram o contraste com o passado recente. A política tem dessas ironias.
Aquilo que hoje é celebrado como avanço também serve como lembrete de quanto tempo foi perdido. Cada enfermaria climatizada, cada leito modernizado e cada equipamento novo instalado no Hospital da Restauração funciona, ao mesmo tempo, como um símbolo de reconstrução e como um silencioso atestado de negligência das gestões anteriores.
Pernambuco começa a recuperar hospitais que deveriam ter sido modernizados há muitos anos. E essa constatação, por si só, já diz muito sobre o que foi nas gestões do PSB, e sobre o que pode finalmente começar a ser, a saúde pública no Estado.









