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Eduardo da Fonte troca poder por promessa e sai enfraquecido

 

Na política, há dois pecados capitais, o da omissão… e o da precipitação. Eduardo da Fonte escolheu o segundo, e está pagando em parcelas cada vez mais altas.

 

Chamou de “precipitada” a decisão da governadora Raquel Lyra ao exonerar indicados do seu grupo em estruturas estratégicas como Ceasa, Lafepe e Porto do Recife. Mas a ironia é cruel: precipitado, mesmo, foi ele.

 

Durante muito tempo, Eduardo ocupou um espaço privilegiado dentro do governo. Não era um coadjuvante. Era peça com peso, com capilaridade, com influência real em áreas sensíveis da máquina pública. Tinha estrutura, tinha cargos, tinha poder, tinha, sobretudo, tempo.

 

E resolveu trocar tudo isso por uma aposta. Uma aposta no futuro. Uma aposta em João Campos. Na política, apostar faz parte. O problema é quando se aposta sem garantia. Quando se sai de um jogo real para entrar em uma promessa.

 

E o que se vê agora é um roteiro clássico de descarte. Eduardo da Fonte nega acordo, fala em portas abertas, em diálogo, em construção futura. Mas a política não se faz com discurso, se faz com movimento. E os movimentos são claros, ele saiu de onde tinha poder e ainda não chegou a lugar nenhum. Pior, começa a perder o que já era seu.

 

Nos bastidores, o esvaziamento é visível. Já são dois deputados estaduais que se afastaram da sua órbita política. E há sinais concretos de que outros quatro podem seguir o mesmo caminho. Um efeito dominó que não nasce do acaso, nasce da percepção de fragilidade.

 

Política é gravidade. Ninguém orbita em torno de quem está caindo. Enquanto isso, o Governo do Estado se reorganiza com rapidez cirúrgica. Ao anunciar mudanças no Ceasa, Lafepe e Porto do Recife, com presidentes de conselhos assumindo interinamente, a gestão de Raquel Lyra manda um recado sem precisar elevar o tom, ninguém é insubstituível.

 

E talvez esse seja o ponto mais duro dessa história. Eduardo da Fonte, que tinha tamanho dentro do governo, hoje luta para não perder relevância fora dele.

 

Na política, não basta ter força. É preciso saber o momento de usá-la. Eduardo antecipou o jogo. E, ao fazer isso, abriu mão da única vantagem que tinha, o tempo. No fim, a frase que ele usou para criticar o governo volta como um bumerangue.

 

A decisão foi, sim, precipitada. Mas não foi a de Raquel.

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