Segundo o governo, o aluguel de navios para a conferência foi necessário por conta do déficit de hospedagem em Belém. Foto: Instagram | @cop30naamazonia
O governo do presidente Lula (PT) gastou ao menos R$ 350,2 milhões no aluguel de cruzeiros que serviram para hospedagem durante a realização da COP30 em Belém, em novembro do ano passado.
Conforme divulgado pelo Metrópoles, um documento detalhado pela Casa Civil explica como foi feito o processo de contratação dos navios que hospedaram as delegações de outras partes do mundo na capital paraense.
Segundo o documento, a Casa Civil destaca que o contrato foi firmado com a Embratur. A agência também contratou outra empresa denominada “Qualitours Agência de Viagens e Turismo Ltda”.
Segundo o documento que também foi enviado à Câmara dos Deputados, a Qualitours foi responsável por contratar os navios das empresas “Costa Cruzeiros” e “MSC Cruzeiros”.
“Verifica-se que o valor total despendido pelo governo federal na operação foi de R$ 350.240.506,46”, diz a Casa Civil.
Segundo o governo, o aluguel de navios para a conferência foi necessário por conta do déficit de hospedagem em Belém e da necessidade de cumprir acordos entre Brasil e os países que participaram da celebração.
“Instada, a Secop esclareceu que a utilização de navios como hotéis flutuantes durante a COP30 decorreu da análise de possíveis soluções para o incremento de unidades habitacionais e leitos e de um conjunto de soluções necessárias e complementares para o problema de hospedagem, a fim de suprir o déficit de unidades hoteleiras e atingir, mediante sua efetivação, o número de leitos necessários para satisfazer às necessidades diretas e indiretas da mencionada conferência, sem prejuízo das necessidades ordinárias de Belém e região metropolitana”, informou o governo.
O acordo também detalhou uma relação referente ao aluguel dos navios com o caso do escândalo do Banco Master; trata-se do empresário dono da Qualitours, Marcelo Cohen.
Ele é apontado como sócio do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, que está preso em Brasília, decorrente do escândalo de liquidação de seu banco no ano passado.
Ambos também são sócios do hotel de luxo Botanique, localizado em Campos do Jordão (SP).
Em nota, a Embratur disse que a escolha da Qualitours se deu por meio de chamamento público e que a empresa “apresentou todos os documentos legais exigidos para atestar idoneidade e capacidade de execução do contrato”.
Veja a nota do governo e da Embratur na íntegra:
“O Governo Federal, por meio da Secretaria Extraordinária para a COP30 e da Embratur, contratou dois navios de cruzeiro para atuarem como unidades temporárias de hospedagem durante a COP30, que foi realizada em Belém (PA), entre os dias 10 e 21 de novembro de 2025.
A seleção da empresa responsável pela operação e comercialização das cabines ocorreu por meio de chamamento público conduzido pela Embratur. A Qualitours apresentou todos os documentos legalmente exigidos para atestar idoneidade e capacidade de execução do contrato.
A estruturação financeira da operação foi garantida pelo banco BTG Pactual, por meio da emissão de carta fiança. Não houve qualquer participação do Banco Master no processo de contratação dos navios.
O contrato entre Embratur e Qualitours já foi auditado pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Por decisão unânime, o plenário do TCU considerou a contratação regular.
No acórdão 756/2026, o Tribunal considerou “a plausibilidade da fundamentação técnica, jurídica e estratégica para a decisão, bem como os estudos preliminares que a sustentaram”. Além disso, o TCU também atestou que o modelo adotado pela Embratur se mostrou “economicamente mais vantajoso em comparação à alternativa de afretamento direto”.









