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Eduardo da Fonte arrisca tudo em aposta solitária pelo Senado

 

Nos bastidores da política pernambucana, o movimento do deputado federal Eduardo da Fonte (PP) em direção ao projeto estadual do prefeito João Campos (PSB) é visto como um cálculo de alto risco. Ao flertar com uma mudança de palanque para viabilizar sua candidatura ao Senado, o parlamentar coloca em xeque a estabilidade e o capital político que detém hoje dentro da base da governadora Raquel Lyra.

 

O primeiro e mais visível obstáculo surge na Zona da Mata Norte. Enquanto Eduardo da Fonte ensaia uma aproximação com os socialistas, uma ala expressiva de seus correligionários e aliados regionais já mandou um recado direto: o destino deles permanece atrelado ao Palácio do Campo das Princesas.

 

Um vídeo recente compartilhado no perfil do deputado estadual Antônio Moraes mostra a articulação na região. Cercado pelos prefeitos Pedro Freitas (PP), de Aliança; Marcone dos Santos (PP), de São Vicente Férrer; Armando Pimentel (PV), de Itambé; Paquinha (PP), de Macaparana; Éder Walter (PSD), de Vicência; e Albino Silva (PP), de Condado. A articulação dos gestores reafirmou o apoio à gestão atual, evidenciando uma rachadura que pode isolar Eduardo da Fonte em uma região estratégica.

 

A Fragilidade do novo palanque – A troca da segurança governista por uma aliança com João Campos esbarra em duas questões centrais: Perda de Ativos: Atualmente, o PP ocupa espaços relevantes no governo estadual, o que garante a Eduardo da Fonte a influência administrativa e a capilaridade necessárias para uma disputa majoritária.

 

Romper com essa estrutura significa abrir mão de uma base construída com esforço nos últimos anos.

 

O fator PSB – Diferente de outros tempos, a rede municipal que sustenta o PSB está mais fragmentada e menos robusta, o que reduz o poder de transferência automática de votos e apoio no interior.

 

A Fama de “Pular de Lado”  Outro complicador que paira sobre a estratégia do parlamentar, é sua própria imagem perante os pares. É frequente a avaliação, tanto de aliados quanto de adversários, de que Eduardo da Fonte costuma se reposicionar conforme a conveniência do momento. Essa fama de “pular de lado” gera um clima de desconfiança em novos parceiros, que temem ser abandonados caso o cenário mude novamente.

 

A aposta de Eduardo da Fonte pode custar-lhe não apenas o apoio de prefeitos estratégicos, mas também a quase totalidade de sua bancada na Assembleia Legislativa. Nos bastidores, a conta é alarmante: o deputado arrisca perder mais de 80% dos seus deputados estaduais, que hoje garantem a capilaridade de seu projeto político. Essa debandada, somada à desconfiança de seus pares e à resistência de aliados históricos na Mata Norte, desenha um cenário de isolamento agudo. Ao trocar a segurança de uma base consolidada por uma aliança incerta, Eduardo da Fonte pode descobrir tarde demais que, na política, a ambição desmedida muitas vezes pavimenta o caminho para a solidão.

 

Para quem almeja o Senado, a matemática exige uma rede política sólida e espalhada por todo o estado. Ao contrariar as lideranças da Mata Norte e buscar um horizonte incerto com os socialistas, Eduardo da Fonte corre o risco de provocar fissuras irreversíveis na base progressista. Em uma eleição majoritária, mudar de lado pode até abrir portas, mas frequentemente deixa pelo caminho o que há de mais valioso: a força da retaguarda.

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