Os erros grosseiros da pesquisa: onde estão os favoritos ao Senado e o crescimento Governadora?
A mais recente pesquisa do Instituto Alfa, divulgada nesta quarta-feira (26) pela CNN Brasil, trouxe números que, à primeira vista, parecem cristalinos, mas que, sob uma análise mais atenta, revelam inconsistências metodológicas e omissões que beiram o erro grosseiro. O levantamento, que deveria servir como um termômetro preciso do cenário político pernambucano, falha em capturar a realidade completa, especialmente na disputa pelo Senado, e subestima um movimento silencioso, mas constante, na corrida pelo Governo do Estado.
O crescimento de Raquel Lyra
No cenário estimulado para o Governo, o prefeito João Campos (PSB) lidera com 50% das intenções de voto. No entanto, o dado mais relevante para a dinâmica atual é o desempenho da governadora Raquel Lyra (PSD), que aparece com 24%. Embora a diferença seja expressiva, é fundamental contextualizar.
Raquel Lyra, que assumiu o governo em meio a um cenário de profunda crise hídrica e desafios fiscais, tem conseguido manter e, em alguns casos, expandir sua base de apoio. O percentual de 24% não é apenas um número, mas um indicativo de que a governadora está consolidando seu espaço, resistindo à polarização e ao favoritismo do principal adversário. Em um eventual segundo turno, a pesquisa aponta 58% para Campos contra 29% para Lyra. A redução da rejeição e a capitalização de entregas administrativas tendem a ser o motor do seu crescimento, um fator que pesquisas focadas apenas em cenários estáticos podem negligenciar. O desafio de Lyra é transformar a aprovação de sua gestão em voto, e os 24% sugerem que o trabalho de base está, de fato, em curso.
O mistério das ausências no Senado: erro metodológico ou intencional?
É na disputa pelo Senado que a pesquisa do Instituto Alfa demonstra suas falhas mais gritantes. O levantamento apresenta três cenários estimulados, e em todos eles, Humberto Costa (PT) e Miguel Coelho (União) despontam como favoritos. No entanto, a ausência de nomes historicamente fortes e consistentemente bem cotados em outras pesquisas é, no mínimo, intrigante.
Onde está Marília Arraes (Solidariedade)? A ex-deputada federal, que já teve sua pré-candidatura confirmada pelo partido e que em todos os levantamentos anteriores sempre figurou entre os primeiros ou segundos colocados, foi inexplicavelmente excluída dos cenários estimulados. Sua presença é citada apenas na pesquisa espontânea, onde, ao lado de Gilson Machado (PL), surge como “outros nomes”. Marília Arraes é uma força política inegável, com um capital eleitoral robusto, e sua exclusão distorce completamente a percepção da disputa.
O mesmo questionamento se aplica a Eduardo da Fonte (PP). Presidente do União Progressistas e um nome de peso no cenário político, ele aparece apenas no segundo cenário estimulado, com 18%, atrás de Humberto Costa (26%). Se ele é um nome cotado e com estrutura partidária para a disputa, por que não foi incluído nos demais cenários para testar sua força contra outros postulantes? A inclusão seletiva de candidatos em cenários distintos é uma prática que levanta sérias dúvidas sobre a isenção e a profundidade da análise.
A inconsistência de Miguel Coelho: candidato sem partido
A pesquisa também expõe a fragilidade da postulação de Miguel Coelho (União) ao Governo do Estado. Enquanto ele é testado e aparece no topo da disputa pelo Senado, sua menção na pesquisa espontânea para o Governo é pífia: apenas 1%. O fato de ele não possuir um partido definido para a disputa majoritária, ao contrário de Eduardo da Fonte que tem o União Progressistas, adiciona uma camada de inconsistência à sua narrativa de ser um candidato viável ao Palácio do Campo das Princesas.
A pesquisa o coloca como um forte candidato ao Senado, mas a realidade é que a sua principal força reside no capital político familiar e na sua capacidade de articulação, e não em um apoio popular orgânico para o Governo, como o 1% espontâneo sugere. A estratégia de testá-lo em cenários majoritários, enquanto nomes como Marília Arraes são ignorados, sugere uma tentativa de moldar a percepção pública, em vez de apenas medi-la.
O termômetro quebrado
Em suma, a pesquisa do Instituto Alfa, embora traga números importantes, peca pela seletividade e pela omissão. Ao ignorar a força de nomes como Marília Arraes e Eduardo da Fonte nos cenários principais do Senado, e ao não aprofundar a análise sobre o crescimento gradual da governadora Raquel Lyra, o levantamento se torna um termômetro quebrado.
O eleitor pernambucano merece uma fotografia mais fiel da realidade política. As “omissões grosseiras” desta pesquisa não apenas distorcem a corrida eleitoral, mas também levantam a suspeita de que o objetivo não é informar, mas sim direcionar o debate. A política de Pernambuco é complexa demais para ser resumida em cenários que convenientemente excluem os protagonistas mais fortes.









