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Amedrontado, João se rende à conveniência ao escolher seus candidatos ao Senado

 

Como diz a famosa expressão popular, o prefeito do Recife, João Campos, “nadou, nadou e morreu na praia”. Após criar uma grande expectativa sobre a formação da sua chapa para o Senado, com seus interlocutores berrando aos quatro ventos que o PSB tinha à disposição mais de cinco nomes para o posto, acabou se rendendo à conveniência. 

 

O gestor prometeu mundos e fundos a todos, “cozinhou” muita gente, e acabou perdendo força no processo. Restou ceder a Marília Arraes e Silvio Costa Filho. Nos bastidores socialistas o consenso é de que “seria melhor seguir com eles do que sem eles”. A dura realidade, porém, é que Campos desejava manter Marília como aliada, mas sem lançá-la ao Senado, evitando comentários de que as alianças políticas também são familiares, e a mesma lenga-lenga de que os primos brigam e sempre fazem as pazes.

 

Mas não se enganem, de última hora João Campos ainda pode rifar Marília (como fez, sempre que possível) e escolher outro nome mais ao centro para a disputa ao Senado. O dano, no entanto, é irreversível: ele perdeu Miguel Coelho e dispensou Eduardo da Fonte, este último agora órfão de grupo político, pois teve as portas fechadas de uma vez por todas por Raquel Lyra após tentar jogar dos dois lados. Campos agora tem o desafio de fazer a chapa vingar só com votos da esquerda, descobrindo no meio do processo que talvez não tenha tanto espaço assim nesse espectro político.

 

A movimentação, além de expor fragilidades na condução política, acendeu um alerta dentro do próprio grupo socialista. Lideranças que antes orbitavam com segurança ao redor do prefeito agora observam com cautela os próximos passos, temendo novos movimentos bruscos e decisões centralizadas. A sensação é de que faltou previsibilidade, elemento essencial para manter alianças sólidas em um cenário eleitoral cada vez mais competitivo.

 

Enquanto isso, no tabuleiro estadual, adversários acompanham atentos cada ruído vindo do Recife. A base governista enxerga na instabilidade uma oportunidade rara de ampliar espaço e consolidar novas alianças, sobretudo entre aqueles que se sentiram preteridos ou descartados no processo conduzido por João Campos. Na política, vazio não existe, e todo espaço deixado é rapidamente ocupado por quem souber jogar com mais estratégia.

 

No fim das contas, o episódio deixa uma lição clara, política não se faz apenas com articulação de bastidores, mas com coerência e capacidade de manter compromissos. Ao tentar agradar a todos, João Campos corre o risco de não satisfazer ninguém. E, em um cenário onde confiança é moeda rara, cada movimento mal calculado pode custar caro nas urnas.

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