A reconstrução silenciosa de Pernambuco
Enquanto parte do país ainda se rende a discursos vistosos e manchetes infladas, Pernambuco passa por uma revolução silenciosa. Em menos de dois anos, Raquel Lyra conseguiu imprimir ao estado um novo ritmo administrativo, desmontando — com pragmatismo, firmeza e resultados — a herança pesada de 16 anos de governos do PSB. E não se trata de retórica política: os números falam por si.
Logo no primeiro ano de gestão, a governadora tirou da gaveta projetos emperrados há anos. Lançou um pacote bilionário em infraestrutura e saneamento, com contratos já assinados somando R$ 1,8 bilhão, num plano que prevê até R$ 6 bilhões investidos até o fim do mandato. As estradas, que amargavam abandono crônico nas gestões anteriores, finalmente passam por recuperação. Em cidades do Agreste e do Sertão, onde antes só se ouvia o barulho das crateras, agora voltam os sons das máquinas e da produtividade.
Na área social, a governadora entrega resultados onde seus antecessores patinavam. A reestruturação da política habitacional devolveu dignidade a milhares de famílias. Em Olinda, Paulista e outras cidades da Região Metropolitana, obras que estavam paradas há mais de uma década foram retomadas e entregues. Mais do que entregar moradias, o governo recuperou a credibilidade do Estado perante a população mais vulnerável.
Na segurança, área em que brilhou como prefeita de Caruaru, Lyra tenta replicar uma fórmula que deu certo no município: investimento em inteligência, foco na prevenção e valorização dos profissionais. Os efeitos já estão sendo sentidos em escala estadual, os números por si só mostram, mas o plano é robusto, e a sensação de abandono que pairava sobre o setor começa a ceder.
Politicamente, Raquel também avança. Dos 14 municípios da Região Metropolitana do Recife, oito são comandados por aliados seus. Seu então partido, elegeu 31 prefeitos nas eleições de 2024, consolidando uma base sólida para 2026. Mais do que isso: ela vem se revelando uma articuladora eficiente, construindo apoios sem precisar se curvar à velha política dos conchavos, ampliando cada vez mais sua base.
Ao comparar os dois modelos — o da propaganda fácil do PSB e o da entrega concreta de Raquel —, nota-se um contraste que pode definir uma geração. Enquanto os socialistas investiram milhões em marketing e em grandes eventos, Lyra tem apostado no básico: água, estrada, casa e escola. É um projeto de reconstrução do pacto social com os pernambucanos.
Se mantiver esse ritmo, Raquel Lyra não apenas consolidará seu governo como um divisor de águas na história recente do estado. Pode, inclusive, redesenhar o mapa político do Nordeste, mostrando que é possível fazer gestão pública eficiente sem esquecer do povo. Pernambuco, enfim, parece estar saindo do atraso — e fazendo isso com menos barulho e mais trabalho.
Uma coisa é certa, Raquel não tem medo do desgaste político quando acredita que a medida é necessária. Diferente dos acordos de bastidores que marcavam a política pernambucana sob o PSB, sua governança se constrói com base em enfrentamento técnico, e não fisiológico.
Derrota expressiva – O governo Lula (PT) sofreu uma dura derrota na Câmara dos Deputados: 383 votos contra o aumento do IOF, proposta que pretendia elevar a carga tributária. O placar expôs o enfraquecimento da base governista, que garantiu apenas 98 votos — número bem abaixo dos 257 necessários para aprovar qualquer projeto de lei ordinária.
Base esfarelada – Partidos aliados como PSB, MDB e PSD mostraram forte resistência: juntos, entregaram somente seis votos ao governo. No próprio PT, houve ausência e até voto contrário, como o de Rui Falcão. Já Tabata Amaral e Benedita da Silva, também da base, sequer votaram. A fidelidade ficou restrita a partidos menores e ideológicos como PSOL, Rede e PCdoB, que foram unânimes.









