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A PEC da Blindagem e a estratégia do arrependimento

 

Ah, a política brasileira! Um palco onde a comédia e a tragédia se revezam em atos tão previsíveis quanto surpreendentes. E, no centro do picadeiro, eis que surge o deputado federal Pedro Campos (PSB), um nome que, até bem pouco, pairava no espectro da esquerda progressista. Mas, como um camaleão em dia de mudança de cor, o parlamentar nos brindou com um espetáculo de contorcionismo ideológico que merece ser dissecado com a precisão de um cirurgião e o sarcasmo de um cronista.

 

O enredo é conhecido: a famigerada PEC da Blindagem, uma proposta que, em sua essência, parece ter sido talhada sob medida para proteger os intocáveis de Brasília. Dificultar a investigação de parlamentares? Ampliar o foro privilegiado a presidentes de partidos? Ora, quem em sã consciência, com um mínimo de compromisso com a lisura e a transparência, votaria a favor de tal aberração? A resposta, meu caro leitor, é mais complexa do que parece, ou talvez, mais simples do que gostaríamos de admitir.

 

Pedro Campos, o mesmo que se alinha com pautas sociais e progressistas, o mesmo que, em tese, deveria zelar pela ética na política, apertou o botão “sim”. Sim, ele votou com a tropa de choque bolsonarista, com aqueles que veem na blindagem uma tábua de salvação para suas próprias desventuras. Um voto que, para muitos, soou como um tiro no pé, um abraço no inimigo, um beijo de Judas na face da coerência. A PEC, aprovada em dois turnos com folga, seguiu seu rumo, e com ela, a perplexidade de quem esperava outra postura do deputado.

 

Mas, como a internet não perdoa e a memória digital é implacável, a repercussão negativa não tardou. As redes sociais, esse tribunal popular implacável, ferveram. E então, o que faz um político acuado? Recua, claro. Mas não sem antes arquitetar uma justificativa que, de tão elaborada, beira o surreal. Em um vídeo apressado, Pedro Campos veio a público com a “estratégia”. Ah, a estratégia! Aquela palavra mágica que, na boca de um político, pode significar qualquer coisa, desde um plano maquiavélico até uma desculpa esfarrapada.

 

Segundo o deputado, seu voto favorável não foi um endosso à blindagem, mas uma “tentativa de retirar pontos considerados ‘absurdos’ do texto e evitar o avanço da proposta de anistia a políticos”. Uma manobra tática, vejam só! Ele se sacrificou, votou contra seus princípios (e contra o bom senso, diriam alguns) para, supostamente, salvar o país de um mal maior. Uma espécie de cavalo de Troia legislativo, onde o presente envenenado era o próprio voto. Ele estava lá, na linha de frente, negociando com o Centrão, tentando “derrotar a anistia”, enquanto votava a favor do que parecia ser o oposto.

 

Com a humildade que só surge após a tempestade, Campos reconheceu que a estratégia “não deu certo” e que ele e sua bancada “saíram derrotados”. Derrotados? Não seria mais preciso dizer “desmascarados”? A verdade é que a desculpa, por mais bem intencionada que possa ter sido em sua concepção, soa oca. É tarde demais para tapar o sol com a peneira, deputado. A água já escorreu por debaixo da ponte, e o voto, esse sim, é um registro indelével. Não há estratégia que justifique o que, aos olhos do eleitor, pareceu uma adesão conveniente a um projeto que cheira a corporativismo e autoproteção.

 

Advogar em causa própria, mesmo que por vias tortas e “estratégicas”, é um risco que poucos políticos se dão ao luxo de correr sem pagar o preço. E o preço, neste caso, é a credibilidade. O eleitor, cada vez mais atento e menos propenso a engolir narrativas prontas, sabe discernir entre um erro genuíno e uma tentativa de justificar o injustificável. Pedro Campos votou sabendo no que estava votando. E, agora, o arrependimento, por mais sincero que seja, não apaga o registro. A blindagem, para a imagem do deputado, parece ter falhado miseravelmente. E a estratégia? Bem, essa ficou para a história como mais um capítulo da arte de se explicar mal na política brasileira.

 

AFASTADO – O Senado decidiu afastar o escritor Eduardo Bueno, o Peninha, do Conselho Editorial da Casa. A medida foi anunciada por Davi Alcolumbre após pressão de senadores indignados com um vídeo em que Peninha comemorava o assassinato do ativista conservador Charlie Kirk, nos EUA. O afastamento ganhou força com requerimento de Rogério Marinho, apoiado por quase 40 senadores. Alcolumbre pediu desculpas pela demora na decisão.

 

AULA – O presidente Valdecir Pascoal ministrou aula sobre os Princípios Constitucionais da Administração Pública no curso Reporta+, promovido pela Atricon em parceria com a Abraji e o BID. Com mais de 2 mil inscritos, entre jornalistas e estudantes, Pascoal destacou legalidade, impessoalidade, moralidade, transparência e eficiência, lembrando Graciliano Ramos como exemplo histórico. Enfatizou ainda o papel dos Tribunais de Contas como guardiões da legalidade e da eficiência na gestão pública.

 

INVESTIMENTOS – O prefeito de Camaragibe, Diego Cabral, participou em Brasília do anúncio do Novo PAC Seleções. O município foi contemplado com mais de R$ 7 milhões para obras de contenção de encostas, uma das três cidades da RMR beneficiadas. Cabral comemorou a conquista, que se soma ao selo A+ do Capag, e destacou o compromisso da gestão em investir em segurança e melhoria da qualidade de vida da população.

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