A queda de João Campos
Os números mais recentes do instituto Paraná Pesquisas revelam uma mudança significativa no cenário político pernambucano em 2025. O que antes parecia uma caminhada confortável para João Campos (PSB) começa a dar sinais claros de desgaste, enquanto a governadora Raquel Lyra (PSD) consolida um movimento consistente de crescimento, tanto na intenção de voto quanto na avaliação de sua gestão.
A chamada “queda de João Campos” não acontece de forma abrupta, mas se expressa em uma trajetória contínua. Em março de 2025, o prefeito do Recife aparecia com 60,9% das intenções de voto no cenário estimulado, percentual acima da linha de vitória em primeiro turno. Ao longo do ano, no entanto, esse patamar foi sendo corroído: caiu para 57,0% em agosto e chegou a 53,1% em dezembro, acumulando uma perda de quase oito pontos percentuais em nove meses.
No sentido oposto, Raquel Lyra (PSD) protagoniza um crescimento que chama atenção pela regularidade e pelo ritmo. Partindo de 22,2% em março, a governadora alcançou 24,0% em agosto e chegou a 31,0% em dezembro, um avanço de 8,8 pontos percentuais no mesmo período. O movimento descrito pelos analistas como “efeito tesoura” evidencia não apenas a redução da vantagem de João Campos (PSB), mas a construção de uma disputa cada vez mais equilibrada rumo a 2026.
Esse desempenho eleitoral está diretamente associado à virada de chave na avaliação da gestão estadual. No início do ano, Raquel enfrentava um cenário adverso: em março, a desaprovação chegava a 50,6%, superando a aprovação, que era de 46,2%. Esse quadro começou a mudar em agosto e se consolidou em dezembro, quando a governadora atingiu 55,4% de aprovação contra 40,8% de desaprovação, gerando um saldo positivo de 14,6 pontos.
Mais do que números frios, a evolução da avaliação “ótima ou boa” que saltou de 29,3% para 37,6% ao longo do ano, indica que Raquel conseguiu converter eleitores antes neutros ou críticos em apoiadores efetivos. Esse capital político começa a se refletir diretamente nas intenções de voto, ampliando seu potencial de crescimento e reduzindo a margem de conforto do principal adversário.
Apesar de João Campos (PSB) ainda aparecer como favorito em simulações de segundo turno, a tendência observada em 2025 acende um sinal de alerta. Mantido o ritmo atual de queda, o prefeito pode chegar a 2026 abaixo da maioria absoluta, o que tornaria inevitável uma eleição em dois turnos, cenário este, que era impensável no início deste ano.
Assim, os dados do Paraná Pesquisas desenham um novo capítulo da disputa em Pernambuco: de uma lado, uma governadora em ascensão, e que vem destravando ações históricas para o estado ao imprimir um novo estilo administrativo. Do outro, um gestor municipal, que tenta resgatar a imagem localmente desgastada de um partido político e que, pela primeira vez, vê sua vantagem diminuir de forma consistente e acentuada.
Pé Trocado – A nova campanha da Havaianas, com Fernanda Torres, virou um campo de batalha ideológico. A intenção de brincar com a expressão “pé direito” foi interpretada por parlamentares de direita, como Eduardo Bolsonaro e Nikolas Ferreira, como um ataque político. O resultado imediato foi um chamado ao boicote nas redes sociais, com vídeos de chinelos sendo descartados. A marca, que buscava um tom de movimento e intensidade, agora lida com uma crise de imagem e a polarização do seu produto mais icônico. Resta saber se a polêmica afetará as vendas de verão.
A Politização do Chinelo – A reação ao comercial da Havaianas expõe a hipersensibilidade do debate político nacional. A escolha de Fernanda Torres, figura com histórico de posicionamentos progressistas, adicionou lenha à fogueira. O que seria uma simples peça publicitária sobre atitude, transformou-se em um símbolo da “guerra cultural”, onde até um par de chinelos é forçado a tomar partido. A ironia é que a polarização, que a marca talvez quisesse evitar, acabou sendo o principal motor da sua repercussão.









