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Espaço dedicado à preservação da memória das lutas pela democracia funcionará em casarão histórico que já abrigou a sede do Movimento de Cultura Popular

 

O Governo do Estado e a Prefeitura do Recife vão firmar protocolo de intenções para tirar do papel o Memorial da Democracia de Pernambuco, instituição dedicada à preservação da memória da resistência e da repressão políticas no Estado. Com a parceria, o memorial ganhará uma sede: o antigo casarão do Sítio Trindade, em Casa Amarela. É lá que o acordo será celebrado, nesta quinta, às 16h, em um ato público com a presença do governador Paulo Câmara, de sua vice Luciana Santos e do prefeito do Recife João Campos.

 

O local tem tudo a ver com os anos de chumbo e, portanto, com o projeto. Em maio de 1960, durante a gestão de Miguel Arraes como prefeito do Recife, o Sítio Trindade, antes denominado Arraial do Bom Jesus, tornou-se sede do Movimento de Cultura Popular (MCP). A iniciativa envolveu intelectuais e artistas e apresentava um conceito inovador de educação, a partir do uso da cultura popular como instrumento de transformação social.

 

Com o golpe militar de 1964, tanques do exército avançaram sobre os jardins do Sítio Trindade e o casarão foi invadido. O material pedagógico e as obras de arte foram apreendidos e destruídos, sob o argumento de que se tratava de material subversivo. Muitos dos integrantes do movimento foram vítimas de perseguição, findaram presos ou exilados.

 

Agora, a Prefeitura do Recife se compromete a disponibilizar o espaço para receber a nova instituição. Com o Memorial da Democracia, o casarão deve abrigar todo o acervo reunido pela Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Helder Câmara, além de informações sobre as lutas libertárias ocorridas no Estado. São documentos, fotos, vídeos e o próprio relatório da comissão, que contam a história do período de ditadura e da luta por liberdade e democracia.

 

A ideia é que o memorial se transforme em um espaço de visitação, pesquisa e reflexão, que promova ações relacionadas à educação, que contribuam para o exercício da cidadania, a valorização dos direitos humanos e para o aprofundamento da democracia.

 

“Sobretudo no momento em que vivemos, em que há uma tentativa de reescrever a história, precisamos preservar a memória de tudo aquilo que foi e representou a ditadura, para que não se esqueça, para que não se repita. É preciso conhecer o passado para construir um futuro melhor. Por isso é tão importante termos em Pernambuco este espaço. São Paulo tem o seu Memorial da Resistência, Montevidéu tem o seu Museu da Memória e aqui teremos o Memorial da Democracia”, disse a vice-governadora Luciana Santos.

 

O ato desta quinta abre as atividades do Ano da Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Helder Câmara, instituído pela Assembleia Legislativa de Pernambuco. A instalação do memorial no Sítio Trindade parte de uma recomendação do Grupo de Trabalho “Memorial da Democracia de Pernambuco”. Vinculado à Vice-Governadoria, o GT criado pelo Decreto nº 51.751, em 3 de novembro de 2021, tem a finalidade de apontar propostas e formatos para apresentar ao público a história das lutas de resistência e de construção da cidadania do povo pernambucano até as lutas pela democracia e o trabalho resultante da Comissão da Verdade.

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