Firma do filho de Lula em Madri tem cinco advogados e nenhuma movimentação. Foto: Reprodução/Redes Sociais
Enquanto avançava o cerco da CPMI do INSS sobre suspeitas de que o filho do presidente Lula (PT) teria se beneficiado do roubo bilionário a aposentados e pensionistas no Brasil, Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”, abriu uma “empresa de gaveta” na Espanha, há dois meses. Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, a defesa de Lulinha alegou ter projetos futuros para a firma denominada Synapta, que iniciou atividades em 13 de janeiro e foi inscrita no Registro Mercantil de Madri em 6 de fevereiro.
A empresa de Lulinha o tem como único administrador e deve atuar no setor de tecnologia, com capital social de 3.000 euros (R$ 18 mil). Seu endereço fiscal foi registrado no mesmo onde funciona o escritório jurídico Monereo Meyer Abogados, contratado pela Synapta, na única movimentação formal da firma. E a parceria com o escritório situado em região de alto padrão na zona norte de Madri incluiu a nomeação de cinco advogados do Monereo como procuradores da empresa de Lulinha.
A Polícia Federal chegou a tratar a mudança de Lulinha para a Espanha, em meados do ano 2025, como uma possível “evasão do país”. Porque o filho de Lula chegou a ter seu sigilo bancário quebrado pela CPMI do INSS em uma tumultuada sessão da comissão do Congresso Nacional, no mês passado, por suspeita de receber R$ 300 mil do esquema operado por Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”.
Porém, a defesa do herdeiro do ex-presidente disse à Folha que a viagem já estaria programada e a abertura da empresa na Espanha é ato legítimo. Além de garantir que Lulinha voltará ao Brasil, caso seja convocado pelo ministro André Mendonça, que relata o caso no Supremo Tribunal Federal (STF).
Os advogados Marco Aurélio de Carvalho e Guilherme Suguimori, defensores de Lulinha, não detalharam sobre as atividades de Lulinha na Europa. Mas responderam à Folha que o filho de Lula trabalha e recebe renda como pessoa física, sem citar detalhes sobre tal contrato. E ressaltaram que Lulinha “não pretende dar esclarecimentos sobre a prestação de serviços que ele tem com o escritório de advocacia”.
A defesa ainda disse que outras empresas de Lulinha no Brasil estão inativas e que a legislação espanhola foi cumprida, ao registrar a nova companhia, que seria parte de um projeto futuro empreendimento no país europeu.
“Não há nenhuma irregularidade, o Fábio deixou o Brasil com o objetivo de viver em Madri, onde está criando seus filhos, matriculou-os numa escola, e vive uma vida absolutamente tranquila. […]Não nos surpreende alguém ter ido lá perguntar [sobre Lulinha]. Quem disse que ele trabalha lá? Uma coisa é trabalhar com esse escritório, outra é trabalhar naquela unidade”, disse Marco Caurélio Carvalho.
Suspeitas e alegações
A quebra de sigilo devassaria a contas de Lulinha entre 2022 e janeiro deste ano de 2026, para saber se os desvios do INSS teriam favorecido Lulinha. E destrincharam R$ 19,5 milhões de reais movimentados entre 2022 e 2026 (R$ 9,77 milhões em entradas e R$ 9,75 milhões em saídas); sendo R$ 4,4 milhões de fundos de investimentos, mais transferências de empresas ligadas a Lulinha.
Citações com supostas referências a Lulinha, em mensagens interceptadas do Careca do INSS, quando, ao ser questionado sobre o destinatário de um pagamento de R$ 300 mil à empresa de Roberta Luchsinger, responde tratar-se de “o filho do rapaz’”. A Polícia Federal aponta que essa é uma referência direta a Lulinha, e que sua amiga Roberta atuaria como intermediária para o suposto repasse de vantagens indevidas.









