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O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) ajuizou, em 24 de fevereiro de 2026, uma ação de improbidade administrativa contra a prefeita de Ibirajuba, Maria Izalta Silva Lopes Gama, e outros indivíduos. A ação aponta para um suposto esquema de desvio de mais de R$ 1.600.000,00 dos cofres públicos, utilizando empresas consideradas de fachada.

 

No âmbito da ação, o Ministério Público solicitou o afastamento imediato da prefeita e dos demais agentes públicos envolvidos, que figuram como réus no processo. O pedido visa impedir o acesso desses indivíduos aos prédios públicos, com o objetivo de preservar provas e garantir a lisura da investigação.

 

De acordo com a acusação do MPPE, a prefeita Maria Izalta teria coordenado um esquema para desviar verbas públicas por meio de duas empresas: HVS Consultoria e Assessoria Ltda e HV Silva Alimentos Ltda, ambas pertencentes ao empresário Handerson Vieira Silva. As investigações revelaram que as sedes dessas empresas funcionavam em uma residência simples, sem a estrutura ou o quadro de funcionários compatíveis com as atividades contratadas pela prefeitura.

 

O modus operandi, conforme o MP, envolvia a celebração de contratos fictícios com a administração municipal. Após o recebimento dos pagamentos, os valores seriam desviados. A ação detalha que parte dos recursos teria sido utilizada na aquisição de um imóvel particular para a prefeita, além de repasses a pessoas ligadas à gestora, como Felipe Heber Martins Silva, identificado como seu “sobrinho”.

 

As Evidências Apresentadas

 

O inquérito civil (nº 01777.000.092/2025), que deu origem ao processo 0000101-40.2026.8.17.2180, compilou um conjunto de evidências. Entre elas, destacam-se extratos bancários que mostram movimentações financeiras significativas nas contas das empresas logo após depósitos da prefeitura. Também foram apresentados comprovantes de PIX e pagamentos em espécie aos vendedores de terrenos que, em depoimento, confirmaram ter negociado diretamente com a prefeita Maria Izalta.

 

Prints de conversas de WhatsApp entre Handerson Vieira Silva e a prefeita, nos quais eles supostamente discutem o encerramento das empresas e ajustes para conferir uma aparência de legalidade aos contratos, também foram anexados ao processo. Um ponto crítico levantado pelo MP é que, ao ser requisitada a apresentar os processos licitatórios e outros documentos pertinentes, a própria prefeitura informou um suposto extravio desses registros.

 

O Ministério Público também aponta que a prefeita teria pressionado Handerson para que assumisse a responsabilidade exclusiva pelo esquema e assinasse documentos com datas retroativas, o que configura uma suposta tentativa de obstrução à justiça, conforme consta nos autos.

 

 

Pedidos do Ministério Público

 

Em caráter de urgência: O MPPE reiterou o pedido de afastamento imediato da prefeita e dos demais agentes públicos réus de seus cargos, além da proibição de acesso às dependências dos prédios públicos, visando evitar a destruição de provas.

 

No mérito: A ação busca a condenação dos envolvidos por improbidade administrativa com lesão ao erário, conforme o artigo 10 da Lei nº 8.429/1992. As sanções pleiteadas incluem o ressarcimento integral do dano, a perda da função pública, a suspensão dos direitos políticos, o pagamento de multa civil e a proibição de contratar com o poder público.

 

Até o momento, o juiz da Comarca de Altinho não se pronunciou sobre o pedido de afastamento da prefeita.

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