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Após 10 dias de agendas em Singapura, Malásia e Indonésia, missão comercial amplia presença global do porto pernambucano, viabiliza memorandos de cooperação e a criação de novas linhas marítimas de longo curso, reforçando sua posição como hub logístico do Atlântico Sul.

 

Após 10 dias de intensas agendas em Singapura, Malásia e Indonésia – em múltiplos segmentos -, o Complexo Industrial Portuário de Suape encerrou, na última sexta-feira (27), a missão comercial ao Sudeste Asiático com resultados promissores. A viagem ampliou a presença internacional do porto pernambucano, viabilizou memorandos de cooperação, abriu caminhos para investimentos em áreas estratégicas e para criação de novas linhas marítimas de longo curso; estreitou relações comerciais com gigantes portuários e fortaleceu posição do complexo como hub logístico no Atlântico Sul.

 

O diretor-presidente de Suape, Armando Monteiro Bisneto – acompanhado do diretor Jurídico, João Vitor Paiva; e do assessor especial da presidência, Alexandre Cardoso – viajou a convite do Instituto Ásia Pacífico, com apoio institucional do Ministério das Relações Exteriores e da Frente Parlamentar Mista Brasil- ASEAN, do Congresso Nacional, representada na viagem pelo secretário Alex Kawano.

 

Armando Bisneto destaca os resultados práticos, além da aproximação com a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), que representa o interesse de dez países. Juntos, o bloco abriga mais de 670 milhões de habitantes e contabiliza mais de R$ 3 trilhões em Produto Interno Bruto (PIB), soma de todas as riquezas. São nações com elevado potencial de desenvolvimento econômico, que crescem a um ritmo acelerado de 5% ao ano.

 

“A missão seguiu a política de internacionalização de Pernambuco e de Suape, que é premissa da gestão da governadora Raquel Lyra. Avançamos muito, estreitamos relações com o apoio dos embaixadores de cada país visitado e agora vamos dar sequência às tratativas para que possamos converter em investimentos, avanços tecnológicos e bons negócios prospectados ao longo da viagem”, pontua Bisneto.

 

O gestor da estatal portuária salienta que a missão comercial também resultou em negociações para viabilizar linhas marítimas de longo curso, a fim de conectar Suape, o 6º porto público mais movimentado do Brasil, aos grandes complexos portuários da Malásia (Port Klang) e da Indonésia. “Atualmente, já estamos conectados com Singapura e a meta agora é possibilitar a criação das novas linhas, reforçando o potencial de Suape como hub logístico estratégico para o Sudeste Asiático”, informa.

 

SINGAPURA

 

Em Singapura, primeiro destino da missão, a comitiva cumpriu agenda estratégica voltada ao fortalecimento das relações institucionais e à prospecção de novos negócios. Um dos destaques foi a reunião com o embaixador do Brasil no país, Luciano Mazza de Andrade, além de encontros direcionados à tecnologia e à inovação no setor marítimo, no Hub Pier71. A programação incluiu reuniões na área de e-commerce com executivos da Shopee, que já tem centro de distribuição em Pernambuco, e com o Banco de Desenvolvimento de Singapura, quando foram discutidas alternativas de financiamento em infraestrutura e estratégias para atração de capital internacional.

 

No campo da prospecção, houve encontro com a Portek International, operadora global de terminais e soluções de engenharia portuária que integra o grupo Mitsui & Co., um dos maiores conglomerados do Japão. A reunião foi marcada pela troca de experiências e pela identificação de oportunidades concretas de cooperação.

 

Também avançaram as tratativas com a Maritime and Port Authority of Singapore (MPA), responsável por consolidar o país como hub portuário global. Segundo o diretor-presidente de Suape, houve sinalização de forte interesse em investir no complexo, com a perspectiva de manter interlocução com a equipe da autoridade para as Américas, baseada em São Francisco (EUA) e responsável pelas operações no Brasil.

 

A missão comercial também teve agenda com executivos da PSA International, um dos maiores operadores portuários do mundo e referência global em transbordo de contêineres. O foco esteve no intercâmbio de boas práticas em gestão portuária e na ampliação do diálogo com players do setor.

 

MALÁSIA

 

Em Kuala Lumpur, capital da Malásia, a comitiva manteve o ritmo estratégico iniciado em Singapura, ampliando interlocuções institucionais e empresariais. Um dos compromissos foi a visita à Asia School of Business (ABS), universidade vinculada ao Banco Central da Malásia em parceria com o Massachusetts Institute of Technology (MIT). O encontro abriu caminho para o avanço de pautas voltadas ao desenvolvimento de programas de educação executiva sobre como fazer negócios na Ásia, além do aprofundamento de estudos sobre complementaridades econômicas entre Suape e os mercados da região.

 

A assinatura de dois Memorandos de Entendimento (MoUs) com gigantes do setor portuário foi outro ponto alto da viagem. O primeiro foi firmado com a Westports, operadora do Port Klang (maior porto da Malásia e um dos dez principais do mundo). Mais do que protocolo formal, o documento estabeleceu canal permanente de comunicação entre Suape e o complexo portuário malaio, fortalecendo a integração entre ambos. Na visita, a Westports sinalizou a possibilidade de viabilizar linhas marítimas de longo curso conectando os dois portos.

 

O segundo MoU foi igualmente relevante e desta vez firmado com o grupo MMC Ports, que administra diversos portos no país e movimenta, ao todo, mais de 20 milhões de TEUs. A solenidade ocorreu no Northport, um dos principais terminais multiuso da Malásia, reforçando a dimensão estratégica da parceria.

 

A comitiva visitou, ainda, a Malaysia International Shipping Corporation (MISC), uma das principais empresas globais de transporte marítimo e de soluções em energia, controlada pela Petronas, estatal petrolífera malaia. Foram discutidas oportunidades de investimentos na indústria naval, com destaque para o reparo de plataformas FPSO (Floating Production, Storage and Offloading) e unidades flutuantes usadas na indústria offshore para processamento, armazenamento e transferência de petróleo e gás, além do interesse da companhia em fabricar navios no Brasil.

 

Na ocasião, Suape apresentou seu cluster de transição energética, que despertou interesse e abriu caminho para novas tratativas. Na sede da Petronas, na capital malaia, a reunião teve como foco a agenda de descarbonização e novas energias. “Como ambas as corporações mantêm escritório no Rio de Janeiro, já ficou acertada a realização de um novo encontro no Brasil para dar continuidade às negociações”, destaca Armando Bisneto.

 

INDONÉSIA

 

A agenda na Indonésia começou com reunião na Embaixada do Brasil, encontro institucional de relevância para o fortalecimento das relações bilaterais. A representação diplomática acompanhou a comitiva em outras agendas estratégicas ao longo da programação pela capital Jacarta. A nação insular é um país com grande mercado consumidor com cerca de 280 milhões de habitantes.

 

Houve reunião com a Indonesian Port Corporations Association, entidade que desempenha papel central na consolidação do sistema de gestão portuária do país. Na sequência, a comitiva esteve na sede da Pelindo, estatal responsável pela administração dos portos públicos indonésios. O encontro evidenciou convergências entre os modelos de gestão e os projetos de modernização portuária em curso nos dois países, abrindo espaço para intercâmbio técnico e cooperação institucional.

 

A comitiva visitou a Câmara de Comércio Brasil-Indonésia, oportunidade em que apresentou a infraestrutura de Suape, os projetos estruturadores e iniciativas que posicionam o complexo como polo de desenvolvimento sustentável e de baixo carbono — entre elas, a implantação de duas plantas de e-metanol no território do porto-indústria.

 

No último dia da missão, a comitiva visitou a sede da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), com foco na exibição dos diferenciais competitivos de Suape e os projetos de expansão, reforçando o interesse em ampliar a inserção do complexo no mercado do Sudeste Asiático. Encerrando o circuito de agendas, houve visita à Indonésia Investment Authority, fundo soberano do país, com foco no diálogo sobre projetos de infraestrutura e possibilidades concretas de atração de investimentos para Pernambuco e para o Brasil.

 

“Com esses dois últimos encontros estratégicos, encerramos um ciclo produtivo de agendas que certamente abrirão novas perspectivas econômicas e oportunidades de negócios. Agora é seguir trabalhando e avançar”, avalia Armando Monteiro Bisneto.

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