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A virada que redesenha o jogo em Pernambuco

 

A política tem seus ciclos, e, às vezes, eles mudam de forma silenciosa até que, de repente, tudo parece diferente. A mais recente pesquisa Simplex/CBN, divulgada em 21 de julho de 2026, escancara exatamente isso: não se trata apenas de números, mas de uma mudança de eixo no sentimento do eleitor pernambucano.

 

A governadora Raquel Lyra (PSD) não apenas cresceu. Ela consolidou uma virada. Entre dezembro de 2025 e julho de 2026, a aprovação da gestora saltou de 57% para 66,7%, um avanço de 9,7 pontos percentuais. Mais do que isso: a desaprovação caiu de 34,7% para 27,4%. Na prática, isso significa que a distância entre quem aprova e quem desaprova praticamente dobrou, saindo de 22,3 pontos para expressivos 39,3 pontos.

 

Não é um detalhe técnico. É um sinal político claro. Enquanto isso, no campo eleitoral, o cenário se move com ainda mais intensidade. O histórico da própria pesquisa mostra um movimento contínuo: João Campos (PSB), que liderava com folga no início de 2025, entra em trajetória de queda. Já Raquel Lyra percorre o caminho inverso, crescendo pesquisa após pesquisa.

 

Os números contam essa história sem rodeios. Em fevereiro de 2025, João Campos aparecia com 54%, contra apenas 19,3% de Raquel. Em abril do mesmo ano, ele ampliava para 56,5%, enquanto ela chegava a 26%. Parecia um jogo definido.

 

Mas política não é fotografia, é filme.  A partir do segundo semestre de 2025, a curva começa a mudar. João recua para 43,6% em outubro, enquanto Raquel sobe para 29,3%. Em dezembro, ele ainda mantém vantagem (48% a 36,2%), mas já sob pressão.

 

O empate técnico em abril de 2026, 42,6% contra 42,3%, foi o ponto de inflexão. Ali, o jogo virou possibilidade. Agora, em julho, virou realidade: Raquel Lyra lidera com 49%, enquanto João Campos aparece com 36,8%. Uma diferença de 12,2 pontos percentuais.

 

Mais do que liderança, a pesquisa indica algo ainda mais relevante: a possibilidade de vitória em primeiro turno, considerando os votos válidos. Esse tipo de cenário não surge por acaso.

 

Há, evidentemente, fatores estruturais. A melhora nos índices de aprovação aponta para uma percepção positiva da gestão, que tende a se refletir no campo eleitoral. Ao mesmo tempo, a queda consistente do adversário sugere desgaste, seja político, seja narrativo. O eleitor pernambucano parece estar reavaliando suas referências.

 

Outro ponto importante está na estabilidade metodológica das pesquisas. Tanto o levantamento de dezembro quanto o de julho ouviram 1.067 eleitores, com margem de erro de três pontos percentuais e nível de confiança de 95%. Ou seja, não há distorção de base: o que muda são os números, e o humor do eleitor.

 

E humor, em política, é tudo. O que se desenha agora é um cenário em que a disputa deixa de ser equilibrada e passa a ter uma liderança clara. Ainda há tempo até a eleição, e o histórico recente da política brasileira mostra que reviravoltas são possíveis. Mas também mostra que tendências consolidadas são difíceis de reverter.

 

Raquel Lyra entra na segunda metade de 2026 não apenas como governadora, mas como favorita. E João Campos, que já foi líder incontestável, agora corre contra o tempo, e contra uma curva que, até aqui, só aponta para baixo.

 

No fim das contas, a pesquisa Simplex/CBN não revela apenas quem está na frente. Ela revela quem está construindo o caminho para vencer.

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