Recife afunda no descanso do Prefeito
As águas que arrastam vidas e sonhos no Recife não são apenas resultado das chuvas. São, acima de tudo, consequência da negligência da gestão pública. A tragédia que levou mãe e filha no Córrego da Bica, em Passarinho, não foi um acaso da natureza, mas um crime anunciado, cometido pela omissão da Prefeitura do Recife e, sobretudo, por seu prefeito, João Campos.
Enquanto a cidade afunda em lama e desespero, a militância digital do prefeito tenta empurrar a culpa para a população, argumentando que o lixo nas ruas e as mudanças climáticas são os grandes responsáveis pelo caos. O cinismo desse discurso é revoltante. Sim, é preciso conscientização sobre o descarte de resíduos, mas colocar o peso da destruição nos ombros dos moradores é covardia. É como culpar cidadãos por tomarem banho enquanto indústrias desperdiçam milhões de litros de água todos os dias.
O Recife, historicamente vulnerável às chuvas, poderia estar preparado. Amsterdã e Veneza enfrentam desafios semelhantes e investem fortemente em infraestrutura. Aqui, no entanto, a tecnologia e os recursos são direcionados para espetáculos de Carnaval e Réveillon, enquanto políticas contínuas de drenagem, dragagem e contenção de barreiras são relegadas ao abandono.
E agora, o prefeito João Campos chega tarde, com a frieza burocrática de quem apenas contabiliza corpos. A mãe e a filha que morreram soterradas haviam feito oito pedidos de intervenção. Oito alertas ignorados. A resposta da Prefeitura foi informar o risco e nada mais. A barreira que desabou estava coberta de bananeiras, uma escolha irresponsável para um solo frágil. Quando o deslizamento aconteceu, acreditou-se que as vítimas morreram dormindo. Mas o perito revelou que a filha ainda tentou empurrar o barro. Morreu lutando.
E João Campos? Limitou-se a dizer que a morte foi “infelizmente inevitável”. Não explicou os pedidos negligenciados. Não explicou a falta de ação. Não explicou por que tantas outras barreiras seguem abandonadas, prontas para repetir essa tragédia.
A população não precisa de discursos vazios ou promessas tardias. Precisa de ação. Precisa de um prefeito que cumpra seu papel e não de uma administração que joga a culpa nos próprios cidadãos enquanto enterra suas vítimas sob o descaso.
Recife não está se afogando apenas na chuva. Está se afogando na incompetência de seus governantes.









