Nova vitória do tenista brasileiro foi testemunhada por Gustavo Kuerten. Foto: Reprodução
Foram 3 horas e 55 minutos de luta, talento e resistência. Quase quatro horas diante de um adversário que conhece Roland Garros como poucos jogadores da atualidade. Quando João Fonseca fechou a partida em 3 sets a 1 sobre Casper Ruud, não conquistou apenas uma vaga na próxima fase. Produziu um daqueles momentos que ficam guardados na memória do esporte brasileiro.
O tamanho da vitória está diretamente ligado à grandeza do adversário. Casper Ruud não é apenas mais um nome do circuito. O norueguês foi duas vezes vice-campeão de Roland Garros, alcançou o segundo lugar do ranking mundial e construiu uma carreira baseada na excelência sobre o saibro. Durante anos, foi apontado como um dos jogadores mais consistentes da superfície, capaz de enfrentar qualquer adversário em Paris. Por isso, derrotá-lo naquele palco tem um significado especial.
João venceu um atleta que conhece cada detalhe da quadra Philippe-Chatrier, que disputou finais naquele ambiente e que acumulou experiência contra os maiores nomes do tênis mundial. E fez isso com a coragem de quem se recusa a aceitar que a juventude seja uma desvantagem.
Enquanto o Brasil acompanhava cada ponto com o coração acelerado, havia um torcedor em especial vivendo emoções diferentes. Gustavo Kuerten assistia à partida.
A cada bola vencedora, a cada quebra de saque, a cada demonstração de personalidade do jovem brasileiro, era impossível não imaginar Guga revivendo parte de sua própria história. Tricampeão de Roland Garros, dono de uma das trajetórias mais bonitas do esporte brasileiro, ele sabe melhor do que ninguém o que significa triunfar naquele cenário.
Enquanto vibrava ali, a poucos metros de João, certamente também viajava no tempo. Reencontrava o jovem que surpreendeu o mundo em 1997, levantou novamente o troféu em 2000 e voltou ao topo em 2001. Relembrava os abraços, as lágrimas, os aplausos da torcida francesa e a sensação única de transformar Paris em uma extensão do Brasil.
Por muitos anos, os brasileiros sonharam em ver surgir um novo protagonista capaz de desafiar os gigantes do tênis mundial em Roland Garros. Muitos talentos apareceram. Poucos despertaram uma expectativa tão grande quanto João Fonseca.
A comparação com Guga continua prematura. O tricampeão ocupa um lugar eterno na história do esporte. João está apenas começando sua caminhada. Mas existe algo que já une os dois. A capacidade de fazer o Brasil acreditar.
Ao derrotar Casper Ruud depois de quase quatro horas de batalha, João Fonseca não venceu apenas uma partida. Devolveu ao tênis brasileiro uma sensação que parecia adormecida. A sensação de que os sonhos mais ousados ainda são possíveis.
E, nesta tarde em Paris, enquanto um jovem construía seu futuro dentro da quadra, um tricampeão certamente se emocionava ao recordar as glórias do passado. Por alguns instantes, o tempo uniu duas gerações. E Roland Garros voltou a falar português.









