Pesquisa ICETEC, divulgada pelo NTCPE, aponta forte otimismo e aceleração produtiva no setor têxtil, consolidando o ciclo junino como um dos principais impulsionadores econômicos do segmento no estado. Foto: Reprodução Blog do Moda Center
A indústria têxtil e de confecções de Pernambuco vive um momento de alta confiança e forte expectativa de crescimento para o período junino. É o que aponta a edição especial de São João do ICETEC – Índice de Confiança do Empresário do Setor Têxtil e de Confecções, divulgada pelo NTCPE (Núcleo Gestor da Cadeia Têxtil e de Confecções em Pernambuco). Os dados mostram que 77% dos empresários do setor acreditam que os resultados comerciais deste ano serão melhores ou muito melhores quando comparados aos do São João de 2025. A pesquisa completa está disponível no site www.ntcpe.org.br.
O otimismo reflete o fortalecimento da atividade econômica na região, que é intensamente impulsionada pela sazonalidade cultural, pelo expressivo aumento na circulação de compradores e pela escalada na demanda regional por vestuário. Segundo o levantamento, desenvolvido em parceria com a Macro BI Consultoria, apenas 11,5% dos entrevistados estimam estabilidade nos resultados e outros 11,5% preveem um cenário inferior.
O peso estratégico das festas juninas para o faturamento das empresas foi amplamente corroborado pelos dados. Para 51,9% dos entrevistados, o impacto financeiro do período sobre o faturamento é considerado moderado (crescimento de 15% a 30%), enquanto 28,8% classificam o impacto como alto (de 30% a 50%) e 7,7% como muito alto (acima de 50%). Somadas, as parcelas evidenciam que, para quase 90% do arranjo produtivo local, o São João é um pilar de sustentação indispensável. Além disso, 67,3% das marcas apontam que a data contribui muito para o negócio e 9,6% a definem como o seu maior diferencial competitivo.
A antecipação e a preparação operacional do Polo de Confecções foram primordiais para o ciclo 2026. Em relação ao ritmo de produção, no momento da coleta dos dados, 57,7% das indústrias já estavam com a produção junina ativa; 15,4% encontravam-se em fase de planejamento final; e 11,5% avaliavam elevar ainda mais a capacidade instalada. Impulsionados pela alta demanda, 86,5% dos empresários confirmaram o aumento no volume de peças produzidas.
Embora 51,9% tenham informado que a estrutura interna era suficiente para absorver os pedidos, o aquecimento gerou desdobramentos operacionais importantes: 15,4% ampliaram o uso de facções externas; 13,5% estenderam jornadas através de horas extras; e 9,6% recorreram a contratos temporários, com 72,7% destas vagas temporárias absorvendo de 1 a 5 novos trabalhadores por empresa.
O levantamento do ICETEC também estabeleceu um comparativo direto com outra data de grande relevância comercial, o Dia das Mães. Os resultados demonstram que, no Polo de Confecções de Pernambuco, o São João exerce um impacto muito mais amplo e profundo sobre a dinâmica econômica regional, gerando maior mobilização industrial, estoques mais robustos e um fluxo superior de consumidores.
Em relação aos desafios operacionais e pressões de custos, apesar do horizonte comercial amplamente favorável, o empresariado sinaliza pressões inflacionárias estruturais na produção. Expressivos 69,3% das empresas declararam ter realizado reajustes nos preços finais dos produtos para preservar o equilíbrio financeiro e assegurar a sustentabilidade operacional. Os custos com matéria-prima despontaram como o principal gargalo produtivo, apontados por 40,4% do setor, seguidos por logística (32,7%) e custos com mão de obra (21,2%).
Somado a isso, as cadeias globais e regionais de suprimentos impuseram desafios extras: 53,8% dos negócios relataram ter enfrentado algum nível de dificuldade com o abastecimento de insumos para o período. A concorrência agressiva com produtos importados permaneceu no topo das preocupações operacionais de longo prazo, sendo listada por 46,2% das lideranças como o maior desafio atual do polo, à frente da escassez de mão de obra em períodos de pico (19,2%) e da necessidade de capital de giro para antecipação de linhas de produção (17,3%).
O levantamento traz, ainda, um raio-X do consumidor e de canais de venda. Em relação ao Perfil do Cliente, o mercado apresenta um consumidor mais cauteloso, com 80,8% dos empresários percebendo maior sensibilidade aos preços. Sobre os Canais de Comercialização, a loja física permanece na liderança absoluta, sendo o principal canal para 44,2% das marcas. No entanto, a força do omnichannel e a digitalização consolidam-se fortemente através do Instagram (30,8%), seguido pelo WhatsApp (11,5%) e pelo canal de atacado tradicional (11,5%). E no que diz respeito ao Giro de Estoque, mesmo com as pressões logísticas, a eficiência no escoamento de mercadorias surpreendeu positivamente: 96,1% das empresas indicaram melhora (84,6%) ou grande melhora (11,5%) nos seus níveis de estoque.
O fechamento do indicador consolida o sucesso da temporada e a resiliência do ecossistema de moda do estado: 53,8% dos produtores declararam-se totalmente satisfeitos com os resultados do ciclo junino de 2026, enquanto 36,5% mantiveram uma postura neutra e apenas 7,7% declararam insatisfação. “Os dados apresentados confirmam que o São João não é apenas uma manifestação cultural, mas sim um dos motores econômicos mais vitais para o Polo de Confecções de Pernambuco. O alto índice de confiança, mesmo diante de um cenário desafiador de custos de matéria-prima e concorrência com importados, demonstra a maturidade e a agilidade comercial das nossas indústrias em responder com rapidez e eficiência ao mercado nacional”, ressalta Pedro Miranda, diretor-presidente do NTCPE.









